quarta-feira, 30 de março de 2011

Coisas que vou lendo...

Bicho de pé - Tungíase
Causado pela pulga Tunga penetrans
Extrair pulga com agulha, ou puncionar a porção amarelada e espremer o conteúdo (Duncan)

Síndrome de Guillain Barre
Doença auto-imune em que os anticorpos destroem a mielina

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

SRO

Para registro:
http://whqlibdoc.who.int/hq/2006/WHO_FCH_CAH_06.1.pdf

Divulgação da nova formulação do Soro de Reidratação Oral recomendada pela Organização Mundial de Saúde.

Mudou a concentração de glicose e de NaCl pelo que percebi.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Parasitoses intestinais

Resumido do Duncan:





PARASITOSES INTESTINAIS





PROTOZOÁRIOS:



Alimentos ou água contaminada.




Amebas:


Entamoeba histolytica – ameba patogênica que causa a amebíase. Após a ingestão dos cistos, estes originam trofozoítos, as formas vivas que penetram no intestino.

A amebíase apresenta-se como:

          o

            disenteria – diarreia aguda com ulcerações na mucosa colônica.
          o

            colite amebiana – longos períodos de diarreia, por vezes sanguinolenta.
          o

            ameboma – mais frequente das complicações crônicas, é um tecido granulomatoso de aspecto tumoral, em geral no ceco e no segmento anorretal.

Existem formas extra-intestinais e o período de incubação pode ser de meses.

Diagnóstico – sintomas e identificação nas fezes.

Tratamento – metronidazol.




Flagelados:


Giardia lamblia – flagelado mais encontrado no TI, mais prevalente em crianças, muito comum, em geral nas criptas do duodeno e jejuno. Não ocorre invasão tecidual.

Apresenta-se após 5-6 dias de incubação com quadro de 1-3 semanas de diarreia, dor abdominal, N/V e má absorção.

Diagnóstico – sintomas e identificação nas fezes.

Tratamento – metronidazol ou secnidazol, tinidazol. Maioria autolimitada.




Ciliados:


Balantidium coli – único patogênico. Maioria assintomático.

Quadro – desde diarreia até dor abdominal e perda de peso.

Diagnóstico – identificação nas fezes.

Tratamento – tetraciclina ou metronidazol.




Emergentes e Oportunistas:



Coccídeos:


Importantes em imunocomprometidos. Nos imunocompetentes raramente há sintomas.

Habitam a mucosa intestinal. São intracelulares obrigatórios. Difícil visualização sem coloração específica.



Crypstoporidium parvum:


Zoonose que causa gastrenterite aguda em imunocompetentes. Em pacientes com menos de 200CD4/µl pode causar diarreia coleriforme intermitente até a morte. Não há medicamento eficaz comprovado.



Cyclospora cayetanensis:


Após uma semana da ingestão dos oocistos, aparece diarreia intermitente, fadiga, anorexia, mialgias, perda de peso e náuseas. Há inflamação do delgado. Os oocistos são raramente excretados, em pequeno número. O tratamento é com trimetoprima 160mg + sulfametoxazol 800mg, 12/12h, 7d. Em HIV, 6/6h, 10d, com tratamento supressivo.



Isospora belli:


Diagnosticada em pacientes aidéticos, por exame direto das fezes ou amostra duodenal. Quadro de febre, cefaléia, dor abdominal, N/V, desidratação, perda de peso, por meses ou anos. Tratamento com trimetoprima e sulfametoxazol.



Microsporídios:


Parasitas intracelulares obrigatórios, causam infecção após a ingestão de esporos. Ocorre principalmente em imunocomprometidos. São dificilmente detectados nas fezes. O tratamento de escolha é o albendazol.



HELMINTOS INTESTINAIS:



Usualmente diagnosticados pela identificação de ovos, larvas ou proglotes nas fezes.

Pertencem a 3 grupos: nematóides, cestóides e trematódeos.




Nematóides:


Possuem somente um hospedeiro. É transmitido pela ingestão de ovos ou pela penetração de larvas na pele.



Ascaris lumbricoides:


Maior e talvez o mais prevalente dos nematóides. A fêmea pões 200 mil ovos, que devem permanecer por 2-3 semanas no solo.

No intestino as larvas eclodem e migram para os pulmões, passando pelo fígado, via sanguinea. Dos pulmões, sobe para a faringe, sendo deglutidas.

Síndrome de Loeffler – infecção maciça com pneumonite, febre, tosse, dispnéia, anorexia, perda de peso e eosinofilia.

Pode causar obstrução intestinal.

Cada adulto sobrevive por 12-20 meses. O tratamento é o mebendazol, albendazol. Piperazina para invasão da via biliar ou oclusão intestinal.




Enterobius vermicularis (Oxyuris vermicularis):


Vermes adultos vivem no ceco e apêndice. Pode causar prurido anal, principalmente à noite, pois a fêmea desce até o ânus, podendo causar insônia e nervosismo.

O verme morto pode desencadear reação inflamatória com formação de granulomas. A fêmea pode subir pela vagina.

O diagnóstico é feito por swabs anais ou pelo método de fita adesiva. O tratamento é com albendazol, mebendazol ou pamoato de pirantel.




Ancylostoma duodenale e Necator americanus:


As larvas penetram na pele, migram para os pulmões via corrente sanguinea e são deglutidos. Os adultos vivem por 1-2 anos, podendo viver mais de 10. Infecções maciças podem causar astenia, fadiga, diarréia, anemia. Os ovos podem ser identificado no microscópio, mas a diferenciação é difícil. Sendo ovo de ancilostomideo, o tratamento é mebendazol, albendazol ou pamoato de pirantel.




Strongyloides stercoralis:


Podem viver no solo, alimentando-se de matéria orgânica. As fêmeas penetram através da pele, desenvolvendo-se no pulmão e sendo posteriormente deglutidas. Com cerca de 3mm, elas geram ovos clones, causando quadros graves em imunocomprometidos. O exame a fresco não é sensível, mas pode identificar larvas. O tratamento é com ivermectina, albendazol.




Trichuris trichiura:


Após a ingestão de ovos, vivem no ceco, apêndice, cólon e íleo. Levam 3 meses pra depositar novos ovos. Comum em associação com A. lumbricoides. Comumente assintomática, pode causar diarreia mucossanguinolenta, tenesmo, perda de peso e fraqueza. Os ovos são identificados no microscópio. O tratamento é com mebendazol ou albendazol.




Cestóides:


As tênias precisam de hospedeiro intermediário, enquanto a H. nana não.



Taenia saginata e Taenia solium:


A característica mais importante é a passagem das proglotes.

T. solium – ingestão da larva Cysticercus cellulosae presente na carne suína malcozida causa teníase. Os ovos das proglotes podem causar cisticercose.

T. saginata – ingestão de carne bovina contaminada por Cysticercus bovis.

A fixação destes vermes pode causar hemorragia. Pode haver dores, N/V, distensão, perda de peso. Após 3 meses podem ser identificados os proglotes e os ovos nas fezes, sendo impossível diferenciá-los.

O tratamento é com praziquantel ou albendazol.



Hymenolepis nana:


Menor e mais comum cestóide. Habita o delgado, causando nenhum ou poucos sintomas. Em crianças pode causar irritação, insônia, diarreia, anorexia. Duram 4-6 semanas, mas pode haver auto-infecção. Diagnóstico pelos ovos nas fezes. Tratamento com praziquantel.




Trematóides:


Vivem no intestino, fígado, pulmões e vasos. São parasitas achatados e tem um hospedeiro intermediário molusco. O de maior importância médica é o Schistossoma mansoni.



EXAME PARASITOLÓGICO DAS FEZES:



Helmintos – ovos e larvas.

Protozoários – trofozoítos, cistos, esporos e oocistos.

Para boa identificação é preciso que sejam feitas boas colheita e preservação.



Colheita:


Fezes pastosas para esfregaços corados; fezes formadas para técnicas de concentração.

Medicamentos (antidiarreicos, antibioticos, antiacidos, vaselina e oleo mineral, contrastes) podem tornar a amostra insatisfatória.


Considera-se a colheita de pelo menos 3 amostras em dias alternados.


Espécimes líquidas devem ser examinadas dentro de 30 minutos; pastosas em uma hora; sólidas em 24 horas. Caso não seja possível, deve-se preservar em refrigeração 3-5ºC.

O exame a fresco é fácil, mas pouco específico, servindo de orientação para a técnica de preservação permanente e coloração.


O método de fita celofane adesiva modificado para enterobius deve ser feito algumas horas após deitar-se ou logo ao acordar antes do banho e antes de defecar, para detecção dos ovos. Colheitas em dias consecutivos (4-6) devem ser realizadas para garantir a cura.




TRATAMENTO:


O tratamento periódico em massa da população de risco, após coproscopia, proporciona uma rápida e acentuada diminuição das taxas de prevalência das parasitoses intestinais.

É importante ressaltar os cuidados de higiene e no preparo dos alimentos, além de cobrar um saneamento básico.

Individualmente deve-se basear no agente etiológico.