quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Reações Alérgicas Graves

REAÇÕES ALÉRGICAS GRAVES



Classificação:


Tipo I – hipersensibilidade imediata – antígeno + IgE → degranulação de mastócitos e mediadores inflamatórios:
atopias;
anafilaxia.

Tipo II – citotóxicas – antígenos ligados às células e IgG ou IgE → complemento e citólise.

Tipo III – hipersensibilidade mediada por complexo imune – IgG ou IgM e alérgenos depositam-se nos tecidos desencadeando o complemento.

Tipo IV – hipersensibilidade tardia – mediada por células T.



Manifestações Cutâneas:

Urticária – ATB, AINES, vacinas (ovo), contrastes com iodo, IECA, anestésicos.
Exantema maculopapular – ATB (mais comum), anticonvulsivantes, diuréticos, anti-hipertensivos.
Eczemas – ATB, anticonvulsivantes, diuréticos, anti-hipertensivos.
Eritrodermia – ATB, anticonvulsivantes, analgésicos, omeprazol, anti-hipertensivos.



Tratamento:

Retirada do agente causal e corticóide tópico – hidrocortisona 2,5% para face e triancinolona 0,1% para casos graves e demais parte do corpo. Retirar lentamente após melhora.
Para casos generalizados devem ser usados oralmente – prednisona 60mg/dia, 4-7 dias, diminuindo 20mg por semana. Anti-histamínicos podem ser necessários para diminuir prurido intenso.




Quadros Específicos:


Eritema Multiforme:

Início de quadro gripal (pródromo) evoluindo subitamente para máculas, pápulas bolhosas ou purpúricas ou urticária por mais de 24h. As lesões têm forma de alvos. Quadros graves, em geral provocados por fármacos, são chamados de síndrome de Stevens-Johnson, em que há comprometimento de mucosas.
Tratamento – suspender os agentes, medidas de suporte. Se comprometer hidratação e nutrição, hospitalizar. Tratar em unidade de queimados quando houver desnudação da pele. Pode ser necessário corticóide em altas doses (prednisona 100-250mg).


Anafilaxia:

Reações anafilactóides também tem o mesmo quadro.
Alimentos são a causa mais comuns, depois picadas de insetos, serpentes e fármacos (relaxantes musculares, amoxicilina, diclofenaco, penicilinas, analgésicos).
Asma pregressa e uso de beta-bloqueadores aumenta o risco.
Manifesta-se com insuficiência respiratória (edema laríngeo, laringoespasmo, broncoespasmo), sintomas cardiovasculares (hipotensão, colapso cardiovascular, arritmias), reações dermatológicas (prurido, urticária, angioedema), gastrintestinais (vômitos, cólicas e diarréia) e conjuntivite.

Manejo:

Epinefrina IM ou SC imediatamente após suspeita, com 96% de resposta. Tentar manter a via aérea com tubo endotraqueal e oxigênio a 100%. Repetir após 20min, por até 4 vezes, 0,3-0,5ml de solução 1:1000. Remover para hospital com infusão de soro para manter tensão arterial.

Dessensibilização:
Comprovação variável. Fármacos são administrados em doses baixas até alcançar a dose desejada, no hospital. Proteínas de insetos são administradas por 3-5 anos, até negativar os testes cutêneos.


Treinamento Para Uso de Epinefrina:

Pacientes com casos recorrentes e que não podem evitar o novo contato com o agente devem carregar seringa de 1ml, agulha (de insulina), epinefrina 1:1000. O paciente ou o acompanhante deve saber aplicar 0,2-0,3ml IM na face lateral da coxa. Caso o paciente esteja inconsciente, aplicar até 0,5ml.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

OLHO VERMELHO - resumido do Duncan

OLHO VERMELHO



Qualquer doença que afete córnea, conjuntiva, íris ou corpo ciliar pode manifestar-se com este sinal oftalmológico, que é representado por hiperemia da conjuntiva bulbar.


CONJUNTIVITE:


Processo inflamatório da conjuntiva, em geral, secundário a processo viral, bacteriano ou alérgico.
O diagnóstico clínico tem acuidade de 75% quando comparado ao laboratorial.
A maioria é autolimitada e com pouca morbidade, mesmo sem tratamento.



Na alergia, ocorre ardência, prurido e secreção mucoide, na maioria das vezes após contato com irritante. Trata-se com compressas frias, vasoconstritores tópicos e anti-histamínicos sistêmicos.

Os antibióticos têm eficácia semelhante. Ocorre resposta em 2-3 dias.
Na viral, pode ser usado ATB para profilaxia.
Não especialistas não devem usar corticoide, pois pode piorar glaucoma, herpes e catarata.
Orientar transmissibilidade, em especial das virais (toalhas, mãos).
Casos que não melhoram em 1 semana devem ser encaminhados.


IRIDOCICLITE:

Inflamação da íris e do corpo ciliar. Infrequente.
Manifestações: dor forte, visão borrada, fotofobia e lacrimejamento. Hiperemia pericorneana violácea. A pupila fica pequena, fixa e irregular. Encaminhar o paciente. Tratamento com corticoide, atropina e midriáticos.


GLAUCOMA AGUDO:

Extremamente grave. Urgência médica.
Dor ocular forte, visão muito diminuída, fotofobia e lacrimejamento intenso.
Globo ocular difusamente vermelho. Edema de córnea com pressão muito elevada (consistência dura à palpação).
Tratamento: pilocarpina (miótico) de 15 em 15 minutos, acetazolamida 250mg (diurético), de 6/6h. Após normalizar a pressão, encaminhar ao oftalmologista para cirurgia.





CORPO ESTRANHO:

Após as conjuntivites, é a maior causa dos atendimentos de urgências oftalmológicas.
Dor, fotofobia, sensação de corpo estranho, e em geral, história de trauma.
Para localização do CE, usar boa iluminação e colírio anestésico. Pode ser necessária a inversão da pálpebra superior.
Tenta-se a remoção com soro fisiológico, cotonete com anestésico, ou pinça sem dentes. Encaminhar se necessário (resistência do paciente, suspeita de mais corpos estranhos, ferrugem, suspeita de perfuração ou laceração da córnea ou qualquer complicação), com curativo oclusivo.
Após, ATB tópico, 3/3h. Encaminhar se após 3 dias permanecer algum sintoma.


EROSÃO DE CÓRNEA:

Após desepitelização de um setor (lápis, unha). Causa dor, fotofobia, ardência e sensação de corpo estranho.
A iluminação oblíqua pode ajudar, assim como corante – fluoresceína.
Após descartada a hipótese de corpo estranho, acompanhar. Pode ser prescrito analgésico VO, nunca anestésicos ou corticoides Se a dor persiste após 48h, encaminhar.
Curativos, pomadas e cicloplégicos são medidas controversas.


QUEIMADURAS QUÍMICAS:

Lavar imediatamente com água corrente, analgésico sistêmico, colírio de atropina e corticoide, e oclusão com pomada de ATB. Encaminhar.


QUEIMADURAS FÍSICAS:

Em geral, ocorre por exposição à irradiação UV (solda elétrica). Após 10-12h aparece dor intensa e vermelhidão, blefarospasmo e fotofobia. Curativo oclusivo, sedação e repouso por 24h.


Considerações:
Vide o primeiro post.
Para ser mais rápido, não editei a figura. O blog não está deixando copiar e colar a tabela, então, esta solução é rápida e fácil...