REAÇÕES ALÉRGICAS GRAVES
Classificação:
Tipo I – hipersensibilidade imediata – antígeno + IgE → degranulação de mastócitos e mediadores inflamatórios:
atopias;
anafilaxia.
Tipo II – citotóxicas – antígenos ligados às células e IgG ou IgE → complemento e citólise.
Tipo III – hipersensibilidade mediada por complexo imune – IgG ou IgM e alérgenos depositam-se nos tecidos desencadeando o complemento.
Tipo IV – hipersensibilidade tardia – mediada por células T.
Manifestações Cutâneas:
Urticária – ATB, AINES, vacinas (ovo), contrastes com iodo, IECA, anestésicos.
Exantema maculopapular – ATB (mais comum), anticonvulsivantes, diuréticos, anti-hipertensivos.
Eczemas – ATB, anticonvulsivantes, diuréticos, anti-hipertensivos.
Eritrodermia – ATB, anticonvulsivantes, analgésicos, omeprazol, anti-hipertensivos.
Tratamento:
Retirada do agente causal e corticóide tópico – hidrocortisona 2,5% para face e triancinolona 0,1% para casos graves e demais parte do corpo. Retirar lentamente após melhora.
Para casos generalizados devem ser usados oralmente – prednisona 60mg/dia, 4-7 dias, diminuindo 20mg por semana. Anti-histamínicos podem ser necessários para diminuir prurido intenso.
Quadros Específicos:
Eritema Multiforme:
Início de quadro gripal (pródromo) evoluindo subitamente para máculas, pápulas bolhosas ou purpúricas ou urticária por mais de 24h. As lesões têm forma de alvos. Quadros graves, em geral provocados por fármacos, são chamados de síndrome de Stevens-Johnson, em que há comprometimento de mucosas.
Tratamento – suspender os agentes, medidas de suporte. Se comprometer hidratação e nutrição, hospitalizar. Tratar em unidade de queimados quando houver desnudação da pele. Pode ser necessário corticóide em altas doses (prednisona 100-250mg).
Anafilaxia:
Reações anafilactóides também tem o mesmo quadro.
Alimentos são a causa mais comuns, depois picadas de insetos, serpentes e fármacos (relaxantes musculares, amoxicilina, diclofenaco, penicilinas, analgésicos).
Asma pregressa e uso de beta-bloqueadores aumenta o risco.
Manifesta-se com insuficiência respiratória (edema laríngeo, laringoespasmo, broncoespasmo), sintomas cardiovasculares (hipotensão, colapso cardiovascular, arritmias), reações dermatológicas (prurido, urticária, angioedema), gastrintestinais (vômitos, cólicas e diarréia) e conjuntivite.
Manejo:
Epinefrina IM ou SC imediatamente após suspeita, com 96% de resposta. Tentar manter a via aérea com tubo endotraqueal e oxigênio a 100%. Repetir após 20min, por até 4 vezes, 0,3-0,5ml de solução 1:1000. Remover para hospital com infusão de soro para manter tensão arterial.
Dessensibilização:
Comprovação variável. Fármacos são administrados em doses baixas até alcançar a dose desejada, no hospital. Proteínas de insetos são administradas por 3-5 anos, até negativar os testes cutêneos.
Treinamento Para Uso de Epinefrina:
Pacientes com casos recorrentes e que não podem evitar o novo contato com o agente devem carregar seringa de 1ml, agulha (de insulina), epinefrina 1:1000. O paciente ou o acompanhante deve saber aplicar 0,2-0,3ml IM na face lateral da coxa. Caso o paciente esteja inconsciente, aplicar até 0,5ml.
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